sexta-feira, 17 de julho de 2009

Comportamento anti-social em crianças e adolescentes



O comportamento anti-social não é uma patologia em si, mas faz parte de várias patologias com graus diferenciados de gravidade e apresenta-se em todas as faixas etárias. Observa-se o comportamento anti-social tanto em crianças normais, como em crianças e adolescentes portadores de transtorno neurótico ou psicótico.

A tendência ao Transtorno de Conduta Anti-Social surge nos primeiros anos da infância como uma forte tendência a reações de hostilidade, birra, teimosia, negação e impulsos agressivos que podem evoluir até a adolescência e à fase adulta como um verdadeiro transtorno mental ligado à impossibilidade do paciente em aceitar limites e regras da convivência familiar e social, podendo estar ligado à condutas de deliquência, criminalidade e violência social.

A psicanálise, a psicologia do desenvolvimento e a teoria sistêmica compreendem que a tendência à conduta anti-social é uma problemática que se desenvolve em rede e que sofre os efeitos de vários fatores em interdependência, desde os fatores de constituição individual psíquica e tendências da criança e do adolescente em desenvolver uma psicopatologia até a interação dos fatores familiares, como as condutas dos pais frente as reações de hostilidade da criança desde os primeiros sinais de birra e negação. A interação entre a patologia pertencente à estrutura familiar com seus vínculos e papéis alterados, os conflitos inconscientes que se refletem na relação familiar, as tendências individuais e a importância dos fatores sócio-culturais envolvidos contribuem para a produção do transtorno de conduta anti-social, que deve ser tratado por equipe multidisciplinar. Segundo Winnicott, adolescentes e adultos que apresentam este transtorno psíquico foram crianças que sofreram profundas privações afetivas causando danos em seu mundo interno que se transformaram em severas defesas agressivas contra o ambiente externo.

A tendência ao transtorno de conduta anti-social deve ser detectada precocemente na infância para encaminhamento ao diagnóstico e tratamento psíquico especializado. A conduta anti-social pode transformar-se em um grave problema de saúde mental que apresenta os seus efeitos destrutivos desde o nível individual até o nível social mais amplo, sendo o seu estudo, pesquisa e acesso ao tratamento um importante desafio às políticas da rede de saúde pública e aos profissionais da saúde mental.





Catarina Rabello
Psicóloga (CRP 30103/06) Psicanalista

Consultório: 3873.7817
(SP zona leste) Tatuapé:  R. Serra de Botucatu, 48
(SP zona oeste) Perdizes:  R. Cardoso de Almeida, 1005




























































































































































































































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